Pais de crianças nascidas com pé torto devem saber que,
se sua criança não tiver outras anormalidades, e for
tratada por mãos experientes, terá um pé com
aparência e função próximas do normal para
todas as atividades. O pé torto bem tratado não traz
nenhuma limitação e é compatível com uma
vida ativa e normal.

A maioria dos pés tortos podem ser corrigidos ainda quando
bebês em seis a oito semanas com manipulações
adequadas e aplicação de gesso. O tratamento é
baseado no entendimento da anatomia funcional do pé e da
resposta biológica de músculos, ligamentos e ossos
às alterações de posicionamento obtidas pelas
manipulações seriadas e aplicação de
gesso.
Menos de 5% das crianças nascidas com pé torto
têm pés rígidos, encurtados e graves com
ligamentos rígidos, que não cedem ao alongamento. Essas
crianças precisam de correção cirúrgica.
Os resultados são melhores se a cirurgia óssea e de
partes moles puder ser evitada. A cirurgia no pé torto
é invariavelmente seguida de formação de tecido
fibroso cicatricial, cicatrizes e fraqueza muscular que se tornam
mais graves e limitantes após a adolescência.
O tratamento deve começar na primeira ou segunda semana de
vida para aproveitar a elasticidade favorável dos tecidos que
formam os ligamentos, cápsulas articulares e tendões.
Com o nosso tratamento, essas estruturas são alongadas com
manipulações cuidadosas semanais. Um gesso é
aplicado após cada sessão semanal para manter a
correção e o alongamento obtidos.Assim, os ossos
são gradualmente trazidos para o alinhamento correto.

Cinco a sete gessos longos, da coxa ao pé, com os joelhos
em ângulo reto são geralmente suficientes para corrigir
a deformidade. Mesmo os pés mais rígidos requerem
não mais que 8 ou 9 gessos para obtenção da
correção máxima. Antes da
aplicação do último gesso que é mantido
por 3 semanas, o tendão de Achiles é geralmente
cortado, num procedimento na própria clínica para
completar a correção do pé. Quando o
último gesso é removido, o tendão já se
refez, no comprimento adequado. Depois de 2 meses de tratamento, os
pés devem apresentar-se supercorrigidos.

Após a correção, a deformidade tende a
recidivar. Para prevenir a recidiva, quando o último gesso
é retirado, deve-se usar uma órtese tempo integral por
três meses e depois apenas à noite por 2 a 4 anos. A
órtese consiste de uma barra ( com o comprimento da
distância entre os 2 ombros ) com botinhas altas abertas na
frente presas à barra com 70 graus de rotação
externa. Uma tira de couro ou plastizote deve ser colada acima do
calcanhar para impedir que os pés escorreguem para fora. A
criança pode ficar desconfortável inicialmente quando
tentar mover as pernas separadamente, mas logo aprende a mexer as
duas pernas juntas e fica mais tranquilo. Em crianças com
pé torto unilateral, o pé normal é fixado na
botinha com 40 graus de rotação externa.


O exame radiográfico seriado geralmente não é
necessário, porque é possível palpar-se com os
dedos a posição dos ossos e sentir-se o grau de
correção. O mesmo não ocorre em casos
complexos.
Quando a deformidade recidiva mesmo seguindo-se todos os cuidados,
uma pequena cirurgia pode ser necessária após os 2 anos
de idade. A cirurgia consiste em transferir o tendão do
músculo tibial anterior mais lateralmente no pé.
Resultados insatisfatórios após
manipulações e gessos para pés tortos em muitas
clínicas indicam que as técnicas usadas são
inadequadas. Sem a compreensão da anatomia e cinemática
do pé normal e dos desvios ósseos do pé torto, a
deformidade é difícil de ser corrigida.
Manipulações errôneas e gessos
comprometerão ainda mais a deformidade do pé torto, ao
invés de corrigir, tornando o tratamento mais difícil
ou impossível.
Cirurgiões com experiência limitada no tratamento do
pé torto não devem aventurar-se a corrigir estas
deformidades. Pode-se ter sucesso na correção de
pés menos graves, mas os casos mais graves devem ser tratados
em um centro com experiência na correção
não cirúrgica desses pés. Isso sempre deve ser
feito antes de ser considerada a cirurgia.
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